Os resultados do primeiro turno das eleições brasileiras de 2026 pegaram grande parte da esquerda nacional desavisada. Uma verdadeira contrarrevolução parece estar em curso no país.
Mesmo que uma difícil virada no pleito presidencial seja operada pela união dos diversos setores progressistas, a governabilidade do quarto mandato de Lula será muito comprometida.
Com uma hegemonia retumbante do Legislativo e dos Estados da Federação, o projeto mais reacionário da direita nacional pode conquistar o Executivo e o Judiciário no segundo turno.
Com a derrota no Legislativo, portanto, o segundo turno aponta para a disputa por dois Poderes da União, uma vez que o Senado deve buscar o impedimento dos ministros do STF desalinhados ao seu projeto, e o próximo presidente deve indicar mais três ministros. Trata-se, desse modo, de uma rara eleição para dois Poderes.
No entanto, os motivos da derrota fragorosa no Legislativo no primeiro turno serão objeto de exposição após o término das eleições. O momento clama pela rápida e urgente rearticulação dos setores progressistas para reverter o processo. Com quase um quarto dos votos anulados, o pleito segue aberto e não restam dúvidas de que são unicamente duas as alternativas em jogo.
No Brasil toda a semana já inicia com diversas mobilizações presenciais e on-line. A tendência aponta para o crescimento desse movimento na disputa por quase quarenta milhões de votos não depositados e nenhum dos candidatos no primeiro turno.
É momento de reorganização, não de lamentos.
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“Um espectro ronda a Europa”. Assim começa o mais famoso manifesto político da história moderna, o Manifesto Comunista, de Marx e Engels. Publicado em 21 de fevereiro de 1848, há exatos 173 anos, o texto anunciava uma grande revolução dos trabalhadores em todo o ocidente europeu, em breve. E elas ocorreram poucos meses depois, confirmando a primeira tentativa de revolução socialista no mundo capitalista, no que ficou conhecido como a primavera dos povos. Para orientar estas lutas dispersas, o partido comunista solicitou a Marx e Engels, seus mais destacados militantes, a redação deste documento que apresenta ao público, pela primeira vez, a descoberta de que a história da humanidade é a história da luta de classes. Porém, para entender a obra, é indispensável compreender o contexto das revoluções que varreram a Europa e inclusive inspiraram a revolução praieira no Brasil naquele 1848.
Três países são centrais para a análise dos autores do socialismo científico para a redação do Manifesto comunista: Inglaterra, França e Alemanha (que ainda não era unificada, portanto, não era uma país propriamente dito).
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Época de eleições, momento de reivindicações que se equilibram entre a radicalidade e a exequibilidade de propostas. Em meio ao crescimento necessário de candidaturas negras, femininas, indígenas, LGBTQI+ e em um cenário de ascensão da chamada extrema-direita e do fascismo no Brasil e no mundo, um tema chama a atenção: o anticapitalismo.
Se desde 2015 a direita havia hegemonizado o campo político-eleitoral com o pretenso combate a corrupção, demandando da esquerda uma resposta geralmente presa à noção de “transparência”, atualmente a luta antifascista tem aglomerado movimentos em torno de um anticapitalismo que nega esta sociabilidade, sem afirmar nada em seu lugar. O problema, todavia, não reside ai. Além de não propor uma nova ordem societária, o anticapitalismo é tão antigo quanto o próprio capitalismo e encontra as mais nebulosas personificações sociais em seus quadros.
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