Não é hora de lamentar o primeiro turno
Os resultados do primeiro turno das eleições brasileiras de 2026 pegaram grande parte da esquerda nacional desavisada. Uma verdadeira contrarrevolução parece estar em curso no país.
Mesmo que uma difícil virada no pleito presidencial seja operada pela união dos diversos setores progressistas, a governabilidade do quarto mandato de Lula será muito comprometida.
Com uma hegemonia retumbante do Legislativo e dos Estados da Federação, o projeto mais reacionário da direita nacional pode conquistar o Executivo e o Judiciário no segundo turno.
Com a derrota no Legislativo, portanto, o segundo turno aponta para a disputa por dois Poderes da União, uma vez que o Senado deve buscar o impedimento dos ministros do STF desalinhados ao seu projeto, e o próximo presidente deve indicar mais três ministros. Trata-se, desse modo, de uma rara eleição para dois Poderes.
No entanto, os motivos da derrota fragorosa no Legislativo no primeiro turno serão objeto de exposição após o término das eleições. O momento clama pela rápida e urgente rearticulação dos setores progressistas para reverter o processo. Com quase um quarto dos votos anulados, o pleito segue aberto e não restam dúvidas de que são unicamente duas as alternativas em jogo.
No Brasil toda a semana já inicia com diversas mobilizações presenciais e on-line. A tendência aponta para o crescimento desse movimento na disputa por quase quarenta milhões de votos não depositados e nenhum dos candidatos no primeiro turno.
É momento de reorganização, não de lamentos.
